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Ser Emigrante | Os Primeiros Passos…

Vou partilhar os primeiros passos que dei antes de vir para França e quando cá cheguei. Esta rubrica não tem como objetivo ser um guia preciso para quem quer emigrar, porque só posso contar com a minha experiência. E com o tempo algumas coisas já mudaram de certeza! Faz este mês cinco anos que mudei de país e lembro-me perfeitamente como se fosse hoje. Na bagagem trazia esperança mas também muitos medos e expectativas.

Não gosto de despedidas e por isso tentei tornar esse dia o mais rápido possível. O coração já estava bem apertado, pois para trás deixava a minha família e amigos, mas deixava também umas das pessoas mais importantes para mim, a minha filha. Só pensava que iria ser para termos um futuro melhor e cá em França também me esperava uma pessoa igualmente importante, como já falei aqui. Já tinha vindo a França de férias para conhecer a região onde iria viver…e posso-vos dizer que sou apaixonada pela zona onde vivo.

Desapegar das coisas

Das primeiras coisas que fiz antes de vir para França foi aprender a desapegar das coisas, coincidiu com a altura em que comecei a minha caminhada pelo minimalismo. Foi das melhores coisas que fiz. Não queria vir para cá com a bagagem cheia, e não estou a falar de bens materiais, estou a falar de sentimentos que nos fazem estar agarrados a um local. Queria vir de mente aberta para uma nova cultura, queria acreditar que esta terra tinha tudo de bom para me dar. Desta forma as coisas até foram um pouco mais fáceis. Mas é duro ser emigrante! No início muitas lágrimas derramei.

Acho importante falar sobre sentimentos, porque podemos vir cheios de expectativas de melhorar a nossa vida e cheios de entusiasmo, mas depois quando vemos que não temos família nem amigos para celebrar as vitórias, o coração aperta e vontade de voltar a Portugal é muita. E lá deitamos por água a baixo o que conseguimos construir. Se está a ler este post e queres emigrar, pensa sempre que não vai ser fácil, mas eu digo que compensa! Antes de vir, o melhor é preparar a cabeça e o coração para todas as dificuldades.

Papelada necessária

Deixando de falar de sentimentos, vamos falar de coisas práticas. Antes de vir, organizei a minha vida e todos os papéis que pudessem ser necessários, para não estar a pedir favores. Nós pensamos que não precisamos dos nossos recibos de vencimento, dos papéis do IRS, mas sim precisamos de tudo isso nos primeiros tempos. Se não temos logo trabalho no início, como me aconteceu, e para não estarmos desamparados, temos que pedir ajuda. E França tem imensas ajudas para os emigrantes, talvez por isso seja o país onde há a maior comunidade de emigrantes portugueses. Por isso, tragam todos os papéis ou tenham as vossas contas na internet da Segurança Social e das Finanças ativas.

Um documento muito importante para trazeres contigo é uma certidão de nascimento internacional, que vem traduzida para diversas línguas. Esta certidão é pedida em todos os serviços aqui em França: Segurança Social (Assurance Maladie), Centro de Emprego (Pôle-emploi), Finanças e CAF (Caisse Allocations Familiales).

Outro documento que devem trazer de Portugal é um certificado de trabalho, algo que desconhecia porque nunca me deram, mas ao que parece é obrigatório e já me disseram que agora há empresas que dão. É um documento que comprova o exercício de atividade profissional em uma determinada empresa e todas as organizações são obrigadas por lei a passar este documento aos seus empregados e ex-funcionários que o solicitarem, independentemente do motivo. Depois em França tive que pedir a uma tradutora reconhecida pela Estado Francês para o traduzir. Este certificado serviu para eu receber um salário enquanto tirava uma formação de francês.

Direito ao subsídio de desemprego

Para quem recebe o subsídio de desemprego em Portugal, pode vir para outro país da União Europeia e continuar a recebê-lo durante 3 meses, que pode se prolongado até um máximo de seis meses. Antes de partir de Portugal deves requerer na Segurança Social o formulário U2 que autoriza a transferir prestações de desemprego. E depois à chegada a França precisas de te inscrever como candidato a emprego no centro de emprego no prazo de sete dias a contar da data na qual partiste de Portugal e apresentar o formulário no momento da inscrição. Este formulário será enviado para Portugal, pelos serviços.

Com a fotocópia deste formulário e a inscrição no centro de emprego feita, deves te inscrever na Segurança Social para teres direito à Carte Vitale. Um cartão que normalmente é dado assim que começares a trabalhar e a fazer os teus descontos, mas eu recomendo que peçam antes com o formulário, porque nem todas as empresas querem preencher toda a papelada da Segurança Social para contratar alguém. Como já tinha o meu namorado cá, fiquei agregada a ele, porque declarámos que vivíamos em união de facto (em concubinage, palavra francesa mais estranha).

Formação Profissional de Francês

Eu inscrevi-me em Fevereiro no centro de emprego, tive direito a 3 meses de subsídio de desemprego, mas não consegui a arranjar logo trabalho. Isto porque também queria aprender a falar correctamente francês. Não tem mal nenhum, mas eu não queria ir para as limpezas, é a área onde há a maior oferta de trabalho para os emigrantes. Só que eu tinha acabado de sair da universidade e não era isto que eu queria. Pedi no centro de emprego para me inscreverem numa Formação Profissional de Francês. A qual comecei em Setembro e fiquei a receber um salário maior que o salário mínimo de Portugal. Esta formação durou 4 meses e teve dois estágios profissionais, nos quais dei o meu melhor e logo que terminei a formação consegui arranjar trabalho como vendedora. Não consegui arranjar na minha área de formação (agência de viagens), mas para primeiro trabalho já estava muito bom e nesta fase já queria era receber o salário francês completa para depois arranjar as condições necessárias para a minha filha vir viver comigo.

Noutra publicação irei falar melhor da minha formação, porque esta já está enorme mas ainda ficou muito para se dizer. Com o tempo e nesta rubrica irei partilhar tudo sobre a minha experiência de ser emigrante em França. Hoje escrevi um pouco do que se passou no início, parece pouco mas quando se fala em papelada e serviços públicos pensem sempre que é demorado. Aqui anda mais rápido do que em Portugal, mas é lento na mesma e parece que nunca temos os papéis todos que eles precisam.

Digam nos comentários se querem saber alguma coisa em específico sobre este tema. Prometo trazer a resposta em breve para o blog.

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2 Comments

  • Reply Mafalda

    Olá! Aqui está um excelente post ? eu como nunca tinha trabalhado em Portugal, não precisei deles. Só da certidão de nascimento e do certificado da universidade para pedir a attestation de comparabilité no Enic-Naric. Também mal cheguei fui à Mission Locale onde me aconselharam a fazer uma Formation Avenir Jeune, que serve para integrar jovens emigrantes no mundo do trabalho, ajudando-os a conhecer a profissão que querem exercer, as leis, a fazer estágios e ensinam as bases de francês. Como ia para longe, também me ajudou muito a saber me deslocar em transportes públicos, coisa que muitos emigrantes que eu conheço não sabem. Como nunca tinha trabalhado antes, recebia um ordenado de pouco mais de 300€ o que era muito bom! Porque, em Portugal, para além de nunca haver formações para mim, pois “já era licenciada”, estava em casa sem receber nada!
    Por isso, concordo contigo. A França ajuda muito os jovens emigrantes!
    Beijinhos*

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    • Reply Raquel Silva

      Obrigada pelo teu excelente comentário 😉 Como já tinha mais de 25 anos não fui à Mission locale mas ainda bem que referiste numa próxima publicação irei falar sobre vários serviços públicos que nos podem ajudar. Beijinhos***

      at

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